Veja como as intenções de voto fazem parte do processo eleitoral
- Tiago Marcon

- Oct 1, 2022
- 3 min read
Diferentes institutos conversam com os eleitores a respeito de suas respectivas preferências

Está em dúvida de como funcionam as pesquisas eleitorais e como elas podem influenciar na decisão final do eleitor? São questões comuns e que aparecem com certa frequência em anos de eleição, e com elas, surgem questionamentos acerca dos fatores que levam seu candidato a estar atrás das mesmas sondagens. A contestação dos cidadãos vem acompanhada de uma eleição polarizada, gerando debate sobre o tema.
Na maioria das pesquisas realizadas, vemos uma vantagem considerável do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em comparação ao atual presidente da república, Jair Bolsonaro. A pesquisa IPEC, antigo IBOPE, divulgou em 26 de setembro, a manutenção da vantagem e o cenário estável pela corrida presidencial, com Lula tendo 48% da preferência do eleitor, contra 31% de Bolsonaro, atual presidente.
Porém, muita gente ainda confunde como são feitos estes levantamentos e como as pesquisas chegam em seus respectivos números. O professor de pesquisa, André Luvizotto, explica as diferenças e como funciona esse processo.
“Alguns institutos podem utilizar um pouco mais de perguntas para entendermos de forma mais qualitativa, outros um pouco menos, mas basicamente os questionários são muito parecidos. Se a gente comparar os institutos de pesquisas mais tradicionais, como o IPEC e o Datafolha, eles usam a estrutura igual da amostra que é levantada pelo CENSO. Então, vão complementar as cotas de gênero, de faixa etária, de região do país, estado e escolaridade”, explica Luvizotto.

Do mesmo modo, há pesquisas de institutos mais novos que nos trazem um resultado um pouco diferente em números por alguns fatores, mas não necessariamente vai nos apresentar uma realidade, ficando um pouco complexo fazer a comparação. É o que reforça o professor Luva.
“A pirâmide etária do último censo realizado é diferente do que temos hoje. Não que esteja errado, mas corremos o risco de termos um viés um pouco diferente nestes resultados de institutos mais tradicionais. Por outro lado, esses institutos mais novos, com essa formação da amostra, dentro da estratificação, não necessariamente vão responder uma realidade brasileira. Fica um pouco complexo comparar os resultados das pesquisas quando as amostras são feitas de formas diferentes, podendo haver distorção entre o candidato A e o candidato B.”
Além disso, para que elas sejam válidas, é necessário que sejam cumpridas algumas normas, como o registro na Justiça Eleitoral, contendo informações como metodologia utilizada e o período do levantamento. Atualmente, há 1.964 pesquisas eleitorais registradas, sendo 776 delas intenções de voto para presidente e 1.160 para o cargo de governador. Só em setembro, já tivemos mais de 620 pesquisas registradas no site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Em toda pesquisa, é possível que o resultado possa sofrer uma variação, por conta disso, a margem de erro é um fator que entra em cena, como também o nível de confiança da mesma pesquisa. O professor André Luvizotto explica que estes fatores são uma escolha que o instituto faz para que se tenha uma amostra possível de ser pesquisada em um curto espaço de tempo.
“O tamanho da amostra, a partir de 100 mil indivíduos, varia muito pouco em função do tamanho da população em si. Ele varia muito em função da margem de erro e também do nível de segurança da pesquisa. O nível de segurança de uma pesquisa, estatisticamente, o que se utiliza por padrão é de 95%, com uma margem que varia de 2 a 3 pontos para mais ou para menos. Traduzindo, se fizermos 100 vezes esse levantamento, em 95% das vezes, teremos o mesmo resultado com uma margem de 2 pontos a 3 pontos para mais ou para menos”, reforça o professor.
Em entrevista cedida para a emissora Cruzeiro FM, Victor Trujillo, diretor do IPESO, instituto de pesquisa em Sorocaba, aborda sobre como o cidadão brasileiro enxerga as pesquisas, como elas fazem parte do processo democrático, qual o objetivo das mesmas e frisa que são parte do momento que são realizadas.
“O eleitor brasileiro está bem consciente sobre o papel e a importância das pesquisas”, diz Victor Trujillo. Para ele, as pesquisas acertam muito mais do que erram. “Elas erram pois não são infalíveis, pois utilizam métodos científicos, o conhecimento científico é falível. O objetivo da pesquisa é fotografar o momento que ela é realizada”, destaca.

Em toda época de eleição, é comum vermos uma diferença dos levantamentos com o resultado oficial. Estas intenções de voto feita por institutos representam o panorama do momento e estimam o cenário. Ainda assim, existem outros fatores que explicam a diferença das pesquisas para o resultado final das eleições, como é o caso do voto útil, um fenômeno conhecido, que surpreende os institutos e que nos ajuda a entender a distinção dos possíveis resultados. É o que ressalta o diretor do IPESO.
“O voto útil é quando o eleitor, na véspera, escolhe um candidato diferente do dele. Ele vota conscientemente, mesmo que não seja sua preferência, impedindo que outro candidato vença, votando contra. É um voto de protesto também”, conclui Victor.



Comments