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Cenário Nacional: Pela primeira vez o número pardos e pretos ultrapassa as candidaturas de brancos

Candidatos demonstram esperança em levar mais representatividade na política



Os eleitores vão às urnas, neste domingo, 2, para o primeiro turno das Eleições de 2022, quando serão escolhidos os melhores candidatos para governar o Brasil pelos próximos quatro anos. Pela primeira vez, o número de candidaturas de pessoas que se consideram pardas ou pretas, juntas, ultrapassou o número de candidatos brancos, em todos os cargos políticos.

Neste ano, de acordo com as estatísticas do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o número total de candidatos aptos nas eleições é de 27.227. Desses, 13.223 (48,27%) são candidatos brancos. Em comparação a 9.765 (35,87%) candidatos que se declaram pardos, e 3.841 (14,11%) candidatos que se auto declaram negros (pretos). Somando o número de candidatos pardos e negros (pretos), o total é de 13.606 (49,98%).


TSE/Dvulgação
Tabela de cor e raça

Em 2014, a autodeclaração de raça foi inserida no perfil dos concorrentes às eleições. Na ocasião, 21.997 pessoas se candidataram, sendo que 12.225 (55,63) eram candidatos que se consideravam brancos, 7.576 (34,47%) eram pardos, e apenas 1.999 (9,1%) se declaravam como negros (pretos).

Já em 2018, 26.052 pessoas concorreram aos cargos políticos, sendo 13.787 (52,92%) brancos, contra 9.171 (35,2%) pardos, e 2.821 (10,83%) negros (pretos).

Esse marco histórico representa uma grande luta de inclusão das classes que, hoje, são maioria no país. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), da população do país, cerca de 46,8% das pessoas se declaram como pardos, e 9,4% como pretos. Nisso, ultrapassam os 42,7% de brasileiros que se autodeclaram como brancos.



Cargos ocupados

Apesar do grande salto de candidaturas pretas e pardas, a luta nas urnas ainda é grande, visto que poucas pessoas negras chegam a ganhar as eleições e ocupar um cargo de poder na política.

Questionado sobre a opressão desses na política, o professor especializado em Diversidade Cultural e Direitos Humanos, Luciano Silva, afirma que “as pessoas negras muitas vezes não se sentem oprimidas, pelo fato de algumas delas não se sentirem assim, de fato, e quando se sentem não compreendem bem o racismo cirúrgico brasileiro. A participação dessa etnia na política deve ser incentivada, inclusive compreendendo o significado de política, e que esta não se restringe apenas à política partidária”.

Já o candidato a deputado estadual, Leandro Soares (PT), que se autodeclara como pardo, sobre os cargos ocupados por negros, diz que “devemos sempre trabalhar para as maiorias deste país, para que sejam cada vez mais representadas em todos os cargos políticos. Negros e pardos (55%) e mulheres (52%) são maioria, não minoria, no Brasil. Mesmo assim pouquíssimos são eleitos. Uma das formas de mudarmos isso são a população parda, negra e as mulheres votarem em pessoas iguais a elas. Assim, passaremos a ter maioria nos cargos.”


Plenário
Foto: TSE/Divulgação



Mau uso da autodeclaração racial

O número de candidatos negros e pardos subiu, mas isso também gerou certa desconfiança. Muitos candidatos, que em 2014 e 2018 se declararam como brancos, na eleição atual passaram a se declarar como pardos, ou como pretos.

A resposta para essas ações pode ser o fato de que candidatos negros possuem um fundo partidário maior. Se acaso uma legenda tem 50% dos candidatos que se identifique dessa forma, metade dos recursos devem ser destinados a essas candidaturas.

Sobre essa questão, o candidato Leandro Soares relata que os incentivos para a maior participação de pardos e negros nas eleições são importantes. “Caso haja qualquer tipo de irregularidade, com gente fraudando essa autodeclaração, isso tem de ser investigado e punido pela Justiça.”

Dados do DivulgaCand mostram que nas eleições de 2018 alguns candidatos se declaravam como brancos, já em 2022, os mesmos candidatos a reeleição se identificaram como pardos.


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