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O Oscar 2022 e a sua representatividade para a comunidade surda


(Foto/Reprodução: Libras Online)

Uma jovem que é a única ouvinte da família fica dividida entre o processo de seguir o seu sonho de estudar música ou ajudar sua família de surdos, a conseguirem trabalhar de forma legal na pesca. Neste cenário de muitas dificuldades, o seu pai Frank Rossi (Troy Kotsur), faz de tudo para manter o empreendimento funcionando, devido à falta de compreensão e acessibilidade com a surdez nesse processo de trabalho.


Para quem acompanhou o Oscar 2022, sabe que essa história se trata do longa dirigido por Sian Heder, conhecido como No Ritmo do Coração ou também como CODA (sigla em inglês “filhos de pais surdos”, children of deaf adults). O próprio recebeu algumas conquistas importantes, como o prêmio de melhor filme, melhor roteiro adaptado e a mais emocionante delas foi para o ator Troy Kotsur, que marcou o evento, o cinema mundial e todas as pessoas que se identificaram com o mesmo.


Troy foi o primeiro ator surdo a vencer o prêmio de Melhor Ator Coadjuvante em 94 anos de história do Oscar, mesmo com os clássicos: Hamill (2010), A Família Bélier (2014), Um Lugar Silencioso – Parte II (2020) e entre outros. Vale destacar que também foi a primeira vez que um homem surdo foi indicado nas categorias de atuação, cujo foi algo histórico.

(Foto/Reprodução: BBC News Brasil)

Mas é importante frisar que esse prêmio já havia sido concedido por uma mulher surda em 1987 e foi para a atriz Marlee Matlin, devido à sua atuação no filme Filhos do Silêncio, e que também teve uma participação brilhante e contracenou com o Troy em No Ritmo do Coração.


Esse momento resultou em um ótimo reconhecimento para o filme francês, mas não só isso, foi uma grande representatividade gerada para a comunidade surda, onde o Troy Kotsur conseguiu conquistar espaços importantes e mostrar para toda a população que independente de qualquer coisa, todos são capazes de passar por barreiras e realizar os seus objetivos, até mesmo quando uma cultura não tem a visibilidade e participação que realmente merece.


Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) em 2020, 1,5 bilhão de pessoas possuem algum grau de perda auditiva (surdez) no mundo e é por isso que a inclusão delas é totalmente essencial, raramente a vemos representada em filmes e séries, visto que o cinema foi e ainda é uma das artes mais poderosas e bem vistas para conseguir aplicar mensagens tanto positivas, quanto negativas e gerar diversas reflexões importantes para a sociedade.


“Existe um histórico em Hollywood de que ele domina o mercado de exibição de filmes no mundo inteiro, isso significa que o cinema norte-americano visa conquistar toda a população e isso causa uma espécie de “vício de olhar” ao ponto que a gente estranhe filmes que saiam desse padrão de começo, meio e final feliz. É preciso trabalhar com a inclusão!” aponta o professor, redator e mestre em cinema, Vebis Junior.


A inclusão dos deficientes no mercado de trabalho e principalmente na arte, nada mais é do que a normalização cultural à partir da presença dos mesmos no cinema, no teatro, na dança ou em qualquer área de atuação que eles quiserem exercer e representar com muito eficiência, assim como os atores que não possuem nenhuma necessidade especial. “A nossa sociedade precisa olhar para as pessoas surdas, cegas ou com qualquer deficiência vendo o seu real potencial que eles tem a oferecer, mas o que falta é oportunidade…” Argumentou Maria Ângela de Oliveira, pedagoga em Letras Libras e Fundadora e Presidente da Associação do Amor Inclusivo.


“Isso pode facilitar aos outros produtores de cinema a pensarem em incluir e investir mais em atores que são poucos vistos nesse meio e até mesmo no dia a dia como pessoas, assim poderão desfrutar de toda a representatividade que essa cultura trás” complementou Vebis.

 
 
 

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