Sobre não estar preparado e a tal síndrome do impostor
- Ruan Rangel Silva

- Feb 20, 2022
- 2 min read
Updated: May 22, 2022
Uma crônica sobre como acontecimentos do cotidiano podem provocar esses sentimentos na nossa cabeça.

Recentemente, no meio do verdadeiro caos conhecido como “semana pré-carnaval” para as agências de comunicação e a maioria das empresas, recebi a notícia de que passaria a assumir um novo cargo após a quarta feira de cinzas. A notícia de que seria coordenador de um time dedicado a um cliente novo e super importante foi dada pela minha atual coordenadora - agora colega de cargo - durante um “trote” via chamada de vídeo.
Para contextualizar, desde o começo do ano, enquanto cuidava de dois clientes como analista - o cargo mais básico - eu vinha sendo preparado para a coordenação com um plano de desenvolvimento baseado nas minhas habilidades e pontos de melhoria. Esse fato, no entanto, foi interrompido pela chegada de uma farmacêutica muito grande na agência, que precisava de um time dedicado para suprir todas as demandas. “Meu Deus, não estou preparado” foram as primeiras palavras que escaparam da minha boca quando ela soltou a informação durante a ligação. E é sobre esse sentimento que discorro a seguir.
Você provavelmente já deve ter escutado, durante uma conversa comum entre adultos, que a vida é cheia de imprevistos e que “o amanhã é sempre uma incógnita”. Apesar dos clichês, ultimamente o mundo tem nos apresentado diversas situações para as quais não pensávamos em nos preparar, aumentando em nosso psicológico a sensação de despreparo, como uma pandemia que recentemente completou dois aninhos - :( - ou uma guerra geopolítica que tem destruído um país do leste europeu, por exemplo.
Dada a situação na qual eu me encontro, pode não lhe parecer que esse sentimento deve ser analisado ou evitado, mas se pensarmos nessas questões maiores e mais relevantes para todos, é importante entender como reagimos a cenários que vão além do nosso conhecimento ou controle. A verdade é que esse sentimento é inevitável e fará parte da vida de todos em algum momento, então torna-se mais viável aprender como agir nesses casos.
Em circunstâncias mais extremas, o instinto de estar despreparado pode culminar em uma síndrome do impostor, na qual a baixa autoestima e o medo levam a autossabotagem nas ações do dia a dia. Portanto, contar com uma rede de apoio com familiares e amigos, eleger prioridades no cotidiano e lembrar-se de que há um motivo por trás do reconhecimento é primordial para conter a ansiedade e insegurança, que estão por trás dessa condição, e afetam mais de 70% da população mundial.
Hoje, faltam dois dias para o início da minha jornada como coordenador e amanhã é só mais um dia na intermitente pandemia, na guerra Rússia vs Ucrânia e na sua vida cheia de causalidades. Está preparado(a)?



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