A produção musical na era do TikTok
- Ruan Rangel Silva

- Jun 5, 2022
- 2 min read
Halsey, Florence, Anitta e mais artistas expõem pressão de gravadoras por músicas virais no aplicativo, reacendendo o debate sobre a produção musical na atualidade.

É fácil esquecer que a motivação de um mercado é lucrar quando estamos falando produção artística, porém as últimas publicações de Halsey no TikTok nos remeteram a essa triste realidade. Um antigo debate sobre como as redes virais estão afetando os lançamentos musicais foi reflorido no penúltimo domingo de maio (22), quando a artista americana afirmou ter músicas prontas sem investimento de sua gravadora, por não serem tendências do aplicativo.
A verdade é que a rede social das dancinhas vem modificando não somente o ramo musical, mas também o consumo de conteúdo na internet como um todo, fazendo sua concorrente Meta correr atrás do prejuízo com o reels cada vez mais parecido com os vídeos do TikTok. Outra categoria afetada foi a dos influenciadores e, atualmente, "bomba" quem é ovacionado pela produção de vídeos curtos e dinâmicos.
As gravadoras musicais, como a Capital Records de Halsey e Warner Records de Anitta, também não podiam ficar de fora e têm seus olhos todos voltados à plataforma. Fato é que alguns artistas não estão felizes com a decisão de quem agencia seus lançamentos. Florence Welch, Marina e FKA Twigs já haviam se manifestado anteriormente sobre a pressão por virais imposta por suas gravadoras.

Além disso, a briga é antiga e está também no Brasil: especialistas e críticos constantemente debatem sobre como a tendência de lançamentos curtos e destinados aos "desafios de coreografia" tem transformado - para pior - a produção musical de artistas brasileiros. Anitta foi uma das que falou recentemente sobre tema: "A gravadora só me dá dinheiro para investir em alguma coisa depois que está viralizando. Foi o que aconteceu com 'Gata' (faixa do novo álbum), eles queriam fazer algo, estava indo super bem, mas depois decaiu. Só investem depois que dá resultado na internet."
Felizmente, o ciclo é quebrado por alguns artistas que optam por nadar contra a maré e não acompanham esse movimento: em entrevista para o lançamento de seu último álbum, 30, Adele afirmou que se negou a criar músicas para adolescentes, dizendo que fará o papel de produzir gravações para os adultos de mais de 30 anos. My Little Love e To Be Loved são músicas desse álbum que chegam a mais de seis minutos, com construções melódicas completas e emocionantes, diferente das simples composições pensadas para o TikTok.



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