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6 anos de ILIWYS e como esse álbum do The 1975 ainda é genial

Updated: May 22, 2022


The 1975 | Divulgação

Foi em fevereiro de 2016 que a banda inglesa The 1975 lançou o seu segundo álbum de estúdio: “I like it when you sleep, for you are so beautiful yet so unaware of it”. Um nome enorme para um álbum enorme: são 17 músicas em 74 minutos, que passeiam pelos gêneros alternativo, R&B, jazz, entre outros.


Um ato muito ousado para uma banda indie, e principalmente para o compositor e vocalista, Matty Healy, que através das suas letras deu algumas dicas do que se passava em sua cabeça – que aliás, muda de música para música. Arrogância, angústia, alegria, tristeza, introspecção, incertezas, paixão, são algumas das coisas que podemos sentir nesse álbum tão complexo e confuso – porém não menos genial.


Em 2016, eu tinha acabado de terminar o Ensino Médio, o que também deu fim às piores crises de ansiedade que tive até hoje. Por medo das crises voltarem, optei por não começar a faculdade ainda (a qual eu tinha ganho uma bolsa de estudos). Foi um momento confuso, no qual precisava me encontrar e decidir o que realmente queria. Esse álbum surgiu como um presente. Eu, uma jovem nerd e estudiosa, que de repente se viu fora da escola e da faculdade, vendo os colegas e amigos seguirem com os estudos e a vida adulta, me senti acolhida pelo The 1975, naquele momento.


Um álbum cheio de músicas com influências da cultura pop dos anos 80, no qual pude explorar, me identificar e destrinchar cada verso confuso e complexo. Uma obra perfeita para alguém obcecada pelo pop – como eu era e ainda sou.


O primeiro choque com o ILIWYS (um álbum com um nome tão grande precisa ganhar um apelido) foi a diferença gritante entre ele e o primeiro álbum da banda, o autointitulado “The 1975”, que tem uma pegada mais rock alternativo. Pode-se dizer que o ILIWYS é uma mistura do indie rock com pop, e elementos dos anos 80, influenciados por bandas como Tears for Fears, INXS e até David Bowie. As músicas transitam entre variados temas, o que pode tornar o álbum confuso de se entender.


Na música “If i believe you”, por exemplo, podemos ouvir um coral gospel e a melodia de jazz, tudo envolvido por uma letra sobre crise existencial, um contraste enorme com a faixa anterior, “She’s american”, um pop de rádio perfeito que quase se tornou single.





O álbum todo é cheio dessas reviravoltas, passando pela acústica “She Lays Down”, sobre a mãe depressiva do Matty Healy, as que são “pop chiclete” e grudam na nossa cabeça, como a provocativa “Love Me” – que fala sobre a fama, “She’s American”, “The Sound” e “This Must Be My Dream” – essa última feita como um presente para os fãs. As bonitas baladas como “A Change Of Heart”, “Paris” e “Somebody Else” – sendo essa um dos maiores hits da banda até hoje. A linda e comovente “Nana”, que Matty fez sobre a morte de sua avó. Os instrumentais brilhantes de “The Ballad Of Me And My Brain”, “Loving

Someone”, dedicada à comunidade LQBTQ+. Enfim.


É um álbum não muito coeso, mas rico em temas, que canta sobre a juventude, sexo, identidade, tristeza, vícios, e principalmente sobre os traumas e conquistas de Matty Healy, com letras muitas vezes tristes, arrogantes, narcisistas e suaves, que refletem sua luta interior e as conversas que ele tinha consigo mesmo. Volto ao ponto em que disse que esse álbum dava dicas do que se passava em sua cabeça, o difícil é entendê-las.


Um disco profundo e ambicioso, que chegou longe e conquistou o mainstream, o que abriu muitas portas para o “The 1975”. Esse álbum estreou em primeiro lugar em diversos países, e foi considerado por revistas como Pitchfork e Rolling Stone como um dos melhores álbuns de 2016, e pela NME como um dos melhores da década. A banda ganhou o prêmio de Melhor Grupo Britânico no Brit Awards em 2017, e o ILIWYS foi indicado ao Grammy.


Para Matty Healy, não tem por que criar um tipo de música quando ninguém consome apenas um tipo. Foi pensando nisso que surgiu o “I like it when you sleep...”. 6 anos depois e a genialidade do álbum continua evidente, pois mesmo após desse período (e de mais 2 álbuns do The 1975), é possível descobrir novos elementos ao ouvir esse disco com atenção, tanto nas letras como nas melodias. Não é um disco perfeito, mas é incomparável e diferente, ambicioso e profundo. Um divisor de águas que não precisou de um tema central para se tornar icônico. Acredito que ele sempre será um dos meus favoritos da banda, e ainda vale a pena ouvi-lo.

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